
Encerrada a mostra de Cassou, nesta quarta 22, a galeria despe suas paredes para um evento da Bienal B denominado VAZIO. É a concretização de uma idéia sugerida pelos fotógrafos Hélio Eudoro, Tibi Meirelez e o design Mauricio David,que acontece só na noite de sexta,26, das 19 as 21h. Atualmente no Canadá, de onde retorna para São Paulo, neste fim de semana, Hélio Eudoro,dá sua interpretação sobre o evento, no texto abaixo:
Vazio é falta, é ausência, é algo que está incompleto, que necessita ser preenchido. Que carece de significado, que ansia pelo cheio. Uma casa vazia, uma relaçao vazia, um vaso vazio, uma vida vazia. Concerde que um vaso vazio ansie por uma flor, assim como uma vida vazia precisa ser preenchida de sentido. Mas é da natureza do ser humano estar incompleto, estar sempre em busca de algo mais que possa substituir o desejo insatisfeito dos sonhos. Mas o que é um sonho vazio? Desesperança? Ilusão? Desilusão. Um sonho vazio é uma ilusão perdida, um engano, um equívoco provocado entre o choque das possibilidades com a realidade. Navegar em um sonho vazio é naufragar no oceano da fantasia e ancorar numa ilha de falsos espelhos, de falsas esperanças; numa ilha cheia de Vazio. Ilha é isolamento, é um paraiso ilusório cheio de pequenos deleites, de pequenas vaidades, de grandes abismos existenciais, cercada por terríveis tormentas e íngrimes escarpas do Ego. A arte é a expressão dos sonhos impossíveis, a materialização das impossibilidades, o milagre de dar vida à novas formas de vida, é ser Deus e o Diabo, é ser anjo e demônio, é ser eterno por um instante. Arte é preencher o Vazio, é penetrar nas profundezas do mundo dos sonhos e resgatar o inesperado, o improvável, o surpreendente. O artista é um ser cheio de Vazio, repleto de ilhas de sonhos inabitados. Um ilusionista de sua própria condição fátua de permanência em vida. Uma batalha perdida contra o universo que o devora enquanto tenta submergir fora do ciclo fatal da existência. Um artista cria subterfugios ilusórios para preencher seu próprio Vazio. Um mágico que faz truques baratos para agradar o Ego e que passa a se repetir num ciclo flagélico de auto-comiseração. Um artista é um palhaço num circo de vaidades. Maquiado com um falso sorriso e fantasiado com retalhos de um parangolê surrado, se coloca no meio do picadeiro em busca de aplausos e reconhecimento para uma platéia ainda mais medíocre, inerte e ansiosa para talvez ver os leões o devorar.
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